sábado, maio 17, 2014

A Deus



Que fazes Tu, Deus que prega o Amor?
Que fazes Tu
Se não nos é permitido amar sem amarras?
Se não usamos o dom de fazer feliz quem o merece
E não o procura noutro lugar?
Diz-me, Deus
Para quê destruir a flor mais bonita
Se não Tens o que plantar no solo?


10/05/2014

terça-feira, agosto 14, 2012

Vem



Vem.
Vem que a chuva é fina e tarda.
Deixa os teus passos
Guiarem a noite até cá.
Traz a lua,
Deste lado há mar e ainda é verão,
Traz a lua.
Traz as estrelas, que o céu é escuro
E a chuva tarda.
Se te seguir a noite, corre.
Corre.
E traz na mão um sonho.
Segue tu a estrada escura.
De asas nos pés
E na boca um beijo.
Deste lado há mar...
Vem, meu Hermes,
Que te mostro o caminho.
Lá ao fundo, a ilha...
Vamos juntos.

inspirado em:
"Noite Mágica Nos Açores"
- de António Araújo

13/08/2012

quarta-feira, março 14, 2012

Fado meu


E saber-me tua, meu amor. Saber-me pertencer-te.
Cingir-me aos passos teus, firmes na noite fria que me envolve como um xaile negro.
Fado meu que a vida traçou... Triste fado de quem ama o sol na madrugada. Não sei que mais a noite me trará, que te não traz a ti, luz no meu caminho.
Que mais me dará, além da morte, esta dura impossibilidade de te ver, luz? Cega-me a falta de ti! Cega-me a distância e o espaço entre os meus dedos, onde caberiam os teus, quentes, sedentos de toque e de amor.
Não sei que bem me trará a vida, além do voo alto do meu espírito após a fusão gritante do teu corpo com o meu. Além da morte... talvez nada. Talvez a saudade.
Talvez reste, no final, nada mais do que saudade. Saudade de ser tua, meu amor.
E saber-te meu...



Para ti, A. S. Porque me fazes acreditar que o amor existe mesmo. Porque me ensinaste que vale sempre a pena lutar, mesmo que se perca muito pelo caminho.
Perdoa-me se te aborrece que a tua história de amor me sirva de inspiração... Também me serve de lição.

17/12/2011

A Lágrima


Eu choro.
Choro pelo que não tenho, choro pelo que não tive. Choro pelo que tive, porque foi mau, foi triste, porque foi embora. Choro até pelo que tenho agora, porque tenho medo de perder.
Eu choro, choro muito.
Choro tantas vezes, quantas vezes cai a noite. Na escuridão, enquanto os outros dormem, eu choro. Choro por mim. Pelo que fui e pelo que sou agora. Choro por ti. Pelo que és e pelo que queria que fosses. Choro tantas vezes, quantas vezes nasce a lua.
Eu choro, choro muito. Se não chorasse, não te escrevia.


14/03/2012

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Tempo


As horas

Vasos de sangue que se escondem no tempo
Garras que ferem a pele
À coragem do segundo perdido.
Sonhos vazios, caídos na terra
Ardidos na chama outrora viva.

O tempo

Odeio o tempo que me consome a força!
Tempo que me arrasta por caminhos negros
E me esmaga sob a mágoa sem remédio.
Tempo que passa e me deixa a sombra
Do que jamais terei presente... a vida!

Oh, doce linha do que foste
E do que a morte será em ti!
Doce memória do momento em que o meu sangue parou

Doce

Quente

Inerte...

Terrível peso no meu corpo à onda agitada e fria.
Pare o mundo na revolta da minha alma à terra!
Pare o tempo e a memória do teu rosto

Rosto triste

Ferido...

Amado!

Parem as ondas e a saudade
Do que jamais cheguei a ver.
Parem as ondas...

Parem as ondas!

As ondas do Tempo.


26/01/2011




Voltei.
Passou algum tempo
Tive saudades tuas... Confidente Meu!

quinta-feira, setembro 04, 2008

Confidente Meu


Impossibilitada de permanecer inspirada passadas duas linhas escritas, presenteia-me a negra noite de final de Verão com a sua frescura. Duas vezes inspiro, outras tantas expulso das entranhas o ar quente que me mantém viva.

Vida

Escritas milhares de linhas adorando a morte como a um deus, mãos que dão à luz poemas de sombra e de pesar, eis que a frescura da noite as vozes da consciência desperta.

Noite

Despertam-me as vozes para escrita que flui do beijo do lápis no papel. Sei lá eu o que dizem as marcas tatuadas na gasta folha do sonho perdido! Despertam-me elas para o fantasma reflectido em cada letra, em cada ponto longínquo, sozinho, despido de todos os laços e pólos opostos que nos ligam, nos atrem... nos matam.

Morte

Acordo, então, para o sentido da palavra Vida, escrita por entre minúsculas gotas de sangue vertidas como lágrimas. Vida e tudo o que a alimenta. O sangue nas veias, o ar nos pulmões, o suor na pele, a dor no corpo... e na alma. Sobretudo na alma.

Dor

Mas quem me leria se me não doesse a alma? Quem me abriria o corpo como um livro e me leria páginas de solidão? Tu! Uma presença, uma atenção, um amigo! Disse um dia o génio: "Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores. Mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos. Alguns deles não procuro, basta-me saber que existem. E esta mera condição encoraja-me a seguir em frente pela vida!"

Amigo

É por isso que nas mais húmidas noites, por entre rasgos de inspiração e poemas esboçados, eu encontro o caminho do sonho... e a obra nasce. É por isso que hoje escrevo. Por ti, Confidente Meu!

Obrigada

1000 Visitas! Parabéns aos leitores do _Confidente Meu_

06/09/2008

segunda-feira, setembro 01, 2008

Blackbird



Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise

Black bird singing in the dead of night
Take these sunken eyes and learn to see
all your life
you were only waiting for this moment to be free

Blackbird fly, Blackbird fly
Into the light of the dark black night.

Blackbird fly, Blackbird fly
Into the light of the dark black night.

Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise

You were only waiting for this moment to arise


The Beatles

quinta-feira, junho 12, 2008

Inconsistências


Quão inconstante a consistência da certeza!
A dúvida, aquando persistente, consome inquietos os espíritos que, outrora sábios, dormem sonhados na figura vida.
Os caminhos, largos passos na calçada fria, lançam às estrelas o olhar queimado da fé, entorpecida sem os pés que os soltam dos sons desaparecidos ao sol escurecido pela poeira feita.
Quando as asas negras do monte vazio na paisagem riscada, arrancadas de raiz num suspiro arranhado à goela de um coração que bate sangrado, voam despidas, sozinhas nas horas quebradas do eco silêncio e levam às mãos suadas do beijo a luz ardente, perdida.
Nas gotas de pedra, chovem dos céus as raivas dos mortos comidos na terra, contidos de juras e falsos desejos pedidos ao pecado dos homens.
Dentro dos corpos selvagens dos puros, os olhos dos anjos vestidos de luto na imensidão do ar renascido, choram a dor das lágrimas de ferro no ventre escondidas.
Assim corre o sangue rasgado à faca nas veias frias que ressuscitam e vive na marca ferida do peito a incerteza... o golpe!

2008

quarta-feira, maio 21, 2008

Quero-te Assim


Vem rastejar, que te faz bem...
Vem rastejar, que te faz bem
Implora porquês que não vou responder
Geme a chorar, que te faz bem
Sangra o teu mundo só para eu ver
Afoga-te em tudo o que não queres ter
É só o que te vou mostrar
Vou fazer-te só o que não queres ser
E vais gostar
Quero-te assim...
Sacrifica o teu ar, que te faz bem
Sufoca entre panos vestidos de azul
Tortura os teus olhos para veres bem
Que arranhas a voz em tosses sem som
Afoga-te em águas e cores de lua
Sente o céu quebrar!
Desfaço-te em tudo o que é teu
E vais-me amar
Quero-te assim... só para mim
Só quando o sol te comer a pele
E o luar te roer a alma
Na lama que te arranca as asas
Quando fores ave amarrada
Vais voar no meu céu negro
Vais ser...
Vais ser nada!
Nada!
Vem rastejar, que te faz bem
Sangra o teu mundo, que te faz bem!

Tiago Bettencourt

terça-feira, março 18, 2008

Por Quem


Morri para ter-te morto.
Ter-te em mim, chama perdida
De um fogo embora extinto.
Ter teu corpo nu e só
Na imensidão de um breve suspiro.
Acorda em mim o sono livre,
Os sons apagados,
Rompe a memória!
Pela Pátria partiste e me mataste
Por desejo me traíste...
Morri.
Chorei a dor em peito rasgado
Defunta, perdi a cor e a alma,
Vi o além e o amor,
Vi mentira e desgraça...
Pela Pátria partiste e me mataste
Por ela me deixaste
Meu soldado perfeito!
Por quem...

2008

terça-feira, março 04, 2008

Heavenly

So much for holding on
I'm the weak and you're the strong
I'm broken
In a box it's hard to see
Things to change, but wasn't me
I'm still here
Do you think about or miss
The little things, a simple kiss
Goodnight
All the things i know i lack
If i wait right here will you come back
To me?

An angel is what you were
Was i for you
Or was i the rock that drug you to
The bottom of the Ocean

All the things we said we do
I'm losing touch, now losing you
I need you
I know why he led us here
I always cry, can't you hear
I love you

Dancing along a line of wrong and right
We were holding on to what we felt
I think of times when it was me and you
Against the world
It was me and you

I miss you


Skylar Blue

sábado, março 01, 2008

Mythe










Comme tout le monde, j'ai mes défauts
J'ai pas toujours les mots qu'il faut
Mais si tu lis entre les lignes
Tu trouveras dans mes chansons
Tout ce que je n'ai pas su te dire


Myth
És e sempre serás
2008

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Saudade


Se é do corpo dorido pela tristeza, as lágrimas secaram e a saudade persiste.

2008

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Para Sempre!


Abraça-me!
Abraça-me até o sol acontecer. Cinge na alma e na dor a marca do teu peito aberto à faca, rasgado, sonhado... morto!
Permite-me. Deixa que penetre no teu corpo, que durma debaixo da tua pele. Que te mate a minha ausência! Deixa-me arrancar aos pedaços as marcas entranhas do teu ser.
Pede-me para gritar ao teu ouvido o suspiro quente da morte que te busca, suplica que te toque uma última vez, pede-me...
Pede-me um abraço.
Abraça-me!
Esconde em mim o que velho sentes. Foge dos esquivos minutos que te cruzam e te espetam a pele como lanças, como passos que te esmagam a distância, como luzes no escuro das palavras...
Afoga em mim as menos águas, menos líquidas, menos sólidas mágoas. Gotas de crer e de verdade, de amor e de saudade.
Abraça-me até ao redondo beijo da noite escura que nos separa. Leva-nos aos passos caminhos do percurso até à vida, voa comigo pelas fases da lua em claro e esgota o desejo dos Deuses de guardar na mente uma noite mais... para sempre!

2008

terça-feira, janeiro 29, 2008

Coisas


Mórbidas curiosidades do ser que delimitam vontades e abrem no espaço infinito mil forças revoltas, amargos retratos, repulsas visíveis pelos olhos cansados da guerra.
Quero mundos vazios, pretos e brancos, espaços tranquilos e vozes que me gritam docemente no escuro de um sonho tranquilo.
Quero o som de uma lágrima, a cor de um desejo reprimido, recuso ver abertos os passos meus no eco da estrada imensa caminhada, pisada pelo voo raso de um suspiro último. Quero o negro... quero o silêncio...
Ignoro as voltas que o mundo dá. Desejo para mim a solidão de quem está só, amo a sombra de mim na humidade das pedras vazias.
Sublimes voltas giradas em torno de uma vida pequena, da mísera condição humana, reles carne do corpo deslocado, caído esquecido da própria existência.
Quero o sangue escuro em todas as tonalidades, compungentes sentimentos, marcas que queimam o frio da mão pesada, mortificada.
Quero abrir-me como um livro e deliciar-me na leitura de infinitos caracteres rasgados com a raiva do tempo. Quero ler-me, saber o nada e esquecer. Conhecer o âmago das coisas.
Como que coisas? Sim, simplesmente... coisas!

2008

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Espaço


Todo um nada que se desfaz em mil pedacinhos num tudo, palmos abaixo da terra dura sangrenta que destrói o Homem e lhe consome a carne.
Prazos feltros do olhar pela janela da visão em movimento, de um vulto quedo no olhar triste de uma criança enferma. É hora...
Tempos pardos, que nos puxam e deleitam, num doce embalar de noite acabada por criar ou transparentes invisíveis, sufocantes silêncios que calados bravos seguram a ténue linha da própria esxistência. Chega...
Minutos laivos, leves, levianos, portas que gritam e relógios que não sabem a hora de bater. Escuros dedos, sombras perdidas no clarão da infância latente na memória esquecida de um velho putrefacto pedaço de vida passada. Morre...
Pazes que salgam as vidas guerreadas, partidas dos homens que por la viveram e dos vermes, reles e bestas que com eles dormem na terra e lhes fedem o corpo. O fim...
Morreram...

2008

terça-feira, janeiro 15, 2008

Não Díades Mas Tríades


Podridão do sangue que corrói as veias do corpo moribundo, num ritmo rápido lento do tempo casto pecado. Rasto sombra das correntes que me prendem o olhar triste, seco, espelhado na lágrima que, de dura, quebra a exígua marca da minha pele.
Acre duvida escura, deambulante, que separa a minha mão fria do osculo nervoso, quente, deleitoso…
Oh, rude textura da voz que sucumbe o meu corpo e me atira para a negra profundeza do mar teu que me devora.
Segue o respirar da entranha humidade ao teu ouvido, foge da chama vida que persegue separa. Corre desejado dos braços meus apagados.
Vem… corre para mim!

2008

domingo, janeiro 13, 2008

Drowned in the Mountains


Na mais profunda negrura de um espaço outrora vivo, morri eu para o azul oprimido, vermelho sangrento, de um mar cujo doce sal me provou o gosto e me levou o fio da existência.
Nas escabrosas ondas do sólido monte, negro no fulgor da lua, planei o meu corpo morto, moribundo e deixei-me deixar de viver. Cessei e estingui a chama defunta do cadáver fogoso que era eu...
Morri. Bebi do mar que cercava a costa de mim e consenti que me inundasse o fôlego. Permiti que as águas profundas me respirassem e elevei o corpo a Neptuno, que me beijava os cabelos molhados, pendentes...
Fechei os olhos e provei o ósculo nocivo, molesto do esplendoroso fio de luz clara, lunar, que me sorvia a cada pedaço.
Morri. Deixei quedos os dedos entrelaçados na dor inexorável que me banhava o corpo.
Quedos foram os momentos em que abracei essa clara luz e deixei que o mar suplicasse...
Cedi ao desejo de adormecer. Pequei, fechei os olhos uma vez mais... e deixei-me perder...

2008

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Recado

Há dores que nem se sentem, no entanto permanecem no nosso corpo e na nossa mente, disfarçadas de outra coisa qualquer...

2008

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Saudades de Casa

A Agravante da Saudade é a Persistência
da Memória.

2008

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Adeus


Abriste a porta.
O sorriso marcado no teu rosto,
Lábios que não mentem...
Estavas de partida!
Os teus olhos fitaram a minha sombra
Queda, leve, triste...
Afinal... estavas de partida!
Porquê?
Porque não?
Nunca me deste a certeza que ficarias.
Nunca a mim disseste que me amavas...
E ali estavas tu, sorridente.
Pronto a deixar a pequenez do meu mundo,
Pronto a levar contigo a luz da lua
E todas as estrelas contadas
Nos dias em que tas ofereci... por amor!
Guardaste o meu sorriso no bolso
Afinal... estavas de partida!
Não me deste a mão antes de sair
Como sempre fazias nos meus sonhos.
Partias sem mim, sem a minha mão fria...
Disse-te adeus e baixei a cabeça.
A imagem de te ver sair não me agradava.
Desejei fortemente que me abraçasses,
Que cingisses com carinho os teus braços à minha volta,
Mas ali estavam eles...
Braços quedos, falecidos, sem amor
Apenas o sorriso que mantinhas nos lábios.
Adormeci.
Morri cem mil vezes para renascer mais cem mil tantas.
Acordei...
Afinal... sempre partiste!

2007

segunda-feira, novembro 26, 2007

Palavras


Como a lágrima que escorre para o infinito,
Deslizo eu entre as tuas palavras.
E vejo nelas o espelho reflectido
Da minha miserável existência.
Entras em mim
E reviras todo um obscuro manto de pensamentos,
Um turbilhão de sentimentos...
E escreves-me nas tua palavras,
Deixando-me fluir mais uma vez
Para a mais amargurada tristeza chamada Vida.
Só tu me levas pelos caminhos esquivos da noite
E me fazes adormecer no escuro do meu íntimo,
Onde moram as vozes incessantes e sujas da consciência,
Que me embalam ao som daquilo que mais ardentemente desejo...
Palavras tuas.

2007

quarta-feira, novembro 21, 2007

Tu!


O timbre melodioso da tua voz
Que me arrepia a pele
Qundo me sussurras ao ouvido.
O calor dos teus lábios
Quando beijas docemente o meu corpo.
A inquietude do teu olhar
Quando me observas do fundo da sala escura.
Os teus olhos que penetram em mim
Como a fusão de dois corpos nus,
Na humidade da noite do primeiro beijo.
As mãos que são tuas e me tocam o corpo...
Mãos que me sentem o sangue
Fervente, grosso, imundo...
Sangue que me corre nas veias,
Reles caminhos abertos
À fria morte que me busca.
Reles caminhos abertos para ti,
Meu amor...
Fazes-me falta!

sexta-feira, novembro 16, 2007

Como A Folha Que Cai...


Como uma folha que desliza
Pela humidade
De uma fria e escura noite de Outono.
A cada folha que cai
Chora um homem,
Morre um ser,
Fere a humanidade
Com mil pecados
Envoltos na sombra da memória...
Na escuridão do desejo...
A cada folha que cai
Fere o pecado um coração.
E a cada ferida que dói
Brilha no escuro uma lágrima
Que a tristeza deixou correr.
Dá-lhe vida,
Dá-lhe luz
E brilha...
É feliz na dor...
É como a folha que cai...

2007

quinta-feira, novembro 08, 2007

Espectros


Espero
Mas estou consciente
De que esta espera tem sido longa,
Que os anos têm sido longos.
Anos que, apesar de poucos,
Têm sido longos…
Espero por quem afinal?!
Espero por elas…
Elas sussurram,
Chamam o meu nome
E eu oiço-as…
Elas cantam e aconchegam-me os cobertores
Enquanto repouso tranquilamente no meu leito.
Elas acariciam-me o rosto
Enquanto durmo e sonho
Com o fim deste pesadelo.
Elas? Sim, elas!
As vozes que chamam por mim
E me adormecem todas as noites.
Essas vozes que não param
Mas acabarão por parar meu coração
Mais cedo ou mais tarde.
Enquanto elas pairarem sobre os meus cobertores
E gritarem dentro da minha cabeça.
Enquanto eu acordar de sobressalto
Todas as noites
E gritar bem alto
Para que elas saiam de lá!
Não sei pensar,
Não me lembro de ninguém.
Estou fechada entre quatro paredes
E o espaço entre elas diminui.
Está a ficar demasiado pequeno para mim.
Elas movem-se…
Elas fecham-se…
Acabarão por se fechar de todo
E eu vou desaparecer lá dentro.
Tenho medo, muito medo…
Eu penso… elas gritam…
Choram…

2003

Eutanásia


Onde estou, não sei.
Estou fechada entre as quatro paredes da morte,
Esperando que me tragam
O amargo cálice da perda da vida.
Eu bebo!
Tragam-mo que eu bebo!
E vou saborear cada trago
Assim, como se fosse
O mais saboroso elixir da vida.
Assim, como se fosse
A mágica poção da rejuvenescência…
Oh! Amarga vida!
Oh! Boca que provarás
Daquele cálice impiedoso!
Eu bebo!
Tragam-mo que eu bebo!
E deixarei aqui meu corpo,
E levo daqui minha alma.
Vai alma bebida em sangue!
Vai alma!
Vai e não voltes mais!

2003

terça-feira, novembro 06, 2007

Coisa Ruím (À Doença)


Sai de dentro de mim.
Sai, abandona o meu corpo!
Tu que te prendes dentro de mim,
Que me roubas a vida
E me roubaste a infância,
Sai de dentro de mim!
Cresci. Mais do que devia,
Muito mais do que queria
E tornei-me velha
Na tenra idade da infância.
Mas estou bem consciente da tua presença.
Sei que me roubarás a vida,
Mais cedo ou mais tarde.
Sai de dentro de mim, peço-te…
Sai de dentro de mim, ordeno-te que saias!
Não será por tua culpa,
Que não poderei amar de novo.
Não será por tua culpa!
Sai de dentro de mim, peço-te…
Coisa ruím, que me absorves.
Coisa má, que me consomes
E levas para bem longe
A esperança de amar alguém.
Tenho medo, mas não de ti!
Tenho medo de me deixar levar e amar
E tu, sem ordem nem razão,
Me levares para longe…
Não percebes?
Amar é um dom.
É vida! É liberdade!
E não será por tua culpa,
Que eu serei pássaro sem asas
E não tenha liberdade para voar.
Não será por tua culpa,
Coisa ruím,
Dentro de mim.


2002

quinta-feira, novembro 01, 2007

Anjos Negros


Asas negras que esvoaçam,
Que pairam sobre mim
E me levam a alma.
Anjos negros que dormem nas trevas
E despertam nos meus sonhos.
Estranhos cupidos da morte
Que sorrindo me lançam
As suas flechas do sono.
Embalam-me e cantam a dor
E levam-me ao sonho da morte...

2005

quarta-feira, outubro 31, 2007

Acalmia Agitada


É lá em cima que eu a vejo,
A Lua linda e brilhante
Como uma pérola.
Uma pérola brilhante
Do fundo do mar.
Esse mar que eu beijo
Quando me molha o corpo
Numa noite ao luar.
Qual escolho?
Quero os dois!
Sou egoísta, e depois?!
É só neles que eu colho
O doce e o amargo das sensações.
Vejo a lua, que regalo!
Não ha no mundo melhor visão.
O mar agita-se, deixá-lo!
Está de acordo com o meu coração.
Ela, lá no alto, serena
De sorriso triste, até dá pena.
Ele, à minha frente, bem zangado
Espuma de raiva, tão irado.
E eu entre eles, sonhando...
Cantando...

2004

sábado, outubro 27, 2007

À Luz da Morte


Já nem gente sou!
Agora, não passo de um monte de ossos
E carnes putrefactas
Que um dia juntos
Me fizeram parecer assim.
E agora não passam de um monte de ossos
E carnes putrefactas,
Debaixo de um manto de terra
Que Deus estendeu para mim.
Jazem meus ossos,
Descansa a minha alma
Na paz desse manto de terra
Escuro na noite calma.
Nesse manto negro
Como o céu na noite escura,
Constelações formam a cruz:
Símbolo da minha sepultura.

2002

quarta-feira, outubro 24, 2007

Medos Sentidos


Que serão os medos
Se aquilo que sonho
São fantasias desgostosas?
Não entendo o medo,
Mas sei que o sinto.
Sinto-o quando acordo
Do sonho em que adormeci.
Quando desperto do escuro,
Das quimeras amargas…
Acordo triste, com medo,
Mas não sei o que é o medo!
Apenas sei que o sinto…
Está aqui…
Dentro de mim!

2006

terça-feira, outubro 23, 2007

Despertar


Desespero.
Dor de sentir
Sem saber o quê.
Sonho escuro que me assusta
Quando em paz no escuro sonho.
Serei eu a única que no escuro vê
Sonhos tardios que cedo despertam?
Dar-me-há o destino
Desejos e não sonhos?
Sonho?
Quimera?
Desejo?
Serão assim tão reais
Que me despertem da morte
E me bebam a vida?

2006

domingo, outubro 21, 2007

Seguir Em Frente...


Por vezes é difícil...
O corpo dói,
Perde forças...
A alma chora,
Enfraquece...
E morre...
O amor que fugiu
Volta sangrando...
E dá à alma
Seu sangue a beber...
Então volta...
Volta e perdoa o passado...
Ama...
Ama o tempo que passa,
Ama o corpo que dói
E o sangue derramado.
Ama a vida que levas,
Ama a tristeza,
Ama a morte...
Mas nao deixes de amar.
Porque só assim
O Amor acontece...

2007